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utopiedade
Segunda-feira, Abril 19, 2004

- Mandrágora -


Capítulo Dois: O biólogo mau

"A planta mandrágora é afim com o reino animal porque grita quando é arrancada e esse grito pode enlouquecer quem a escuta"
(Shakespeare)


Sentadas na sala de Kelly, as garotas esperavam para ouvir qual seria a missão. Finalmente, a voz voltou a sair do pequeno aparelho sobre a mesa:
- Panteras, eu quero que vocês conheçam Natalia Montenegro, Thalita MontBlanc e Vanessa Monteiro, as donas do hotel L'Effet e o biólogo Diego Drosóphila.
Três mulheres elegantes e um senhor vestido de branco entraram pela mesma porta que as cinco garotas tinham usado antes. Sentaram-se na ponta do amplo sofá. No momento em que eles se acomodaram, o telão atrás de Kelly foi ligado e as imagens de um luxuoso hotel foram mostradas.
- Este é o L'Effet. - continuou a voz no aparelho. - Um hotel prestigiado e freqüentado apenas por grandes empresários e famílias ricas em visita a São Paulo.
- Ontem, estava acontecendo no local uma convenção de Biologia. - continuou Kelly. - O salão principal foi reservado para palestras e conferências. No final do dia, um grande jantar marcou o fechamento da convenção.
- E o sumiço da mandrágora sete. - falou uma das três donas do hotel, Natalia, uma moça loira que usava um fino terno verde
- A o quê? - perguntou Bárbara.
- A mandrágora sete... - a voz no aparelho recomeçou e, no telão, apareceram imagens de uma planta exótica, com folhas amarelas que possuíam manchas arroxeadas nas pontas. - É uma nova descoberta da ciência. Todos acreditavam ser uma planta lendária, mas foi achada em uma região da Floresta Amazônica. Uma única muda estava disponível na conferência, muito bem guardada por seguranças depois que seu manuseio foi restringido.
- A mandrágora é uma planta com propriedades sedativas encontrada nas regiões mediterrâneas e até o Himalaia. Seis diferentes tipos eram conhecidos até pouco tempo. A sétima forma foi descoberta agora.
- E por que a restrição? - perguntou Lívia.
- Um biólogo que estudava a planta, Luciano Luís, foi encontrado morto em seu laboratório. - respondeu o senhor Drosóphila. - Não foi descoberta a causa de sua morte, nada na autópsia indicava o motivo. O fato mais suspeito, no entanto, foi o sumiço do seu colega de trabalho, antes mesmo de uma faxineira encontrar o corpo de Luís.
O telão trocou de imagem novamente, exibindo um homem mestiço, que usava óculos de aros finos e um jaleco branco.
- Vagner Lavoisier, antigo parceiro do cientista morto, foi visto entrando no laboratório com o colega e saindo de lá meia hora antes da descoberta do corpo. Sua casa está vazia, seu carro foi abandonado a poucos metros do laboratório. - explicou a voz no aparelho. - Não se teve mais notícias dele...
- Até ontem. - uma segunda dona do hotel, Thalita, de cabelos castanhos lisos e compridos e com um terno cinza, começou a falar. - Os seguranças do nosso hotel afirmam ter deixado entrar um homem com essa aparência para o jantar de ontem.
- E por que seus seguranças deixariam entram um homem suspeito? - quis saber Paula.
- Ele não era suspeito. - a última das donas, Vanessa, que usava uma calça preta de tecido fino e uma camisa branca, começou a explicação. - Ele tinha as credenciais para a conferência, elas foram entregues com antecedência a vários cientistas. Vagner sumiu apenas três dias antes do evento, ele já tinha a credencial antes disso.
- E ninguém nos alertou para o sumiço de um dos cientistas, muito menos para a suspeita de assassinato, para que pudéssemos deixar os seguranças avisados. - completou Natalia.
- Então esse Vagner é nosso principal suspeito, tanto no assassinato do cientista, quanto no roubo da mangradora... mambágrora... ah... - confundiu-se Helena.
- Mandrágora. - corrigiu Kelly. - Sim, e é atrás dele que vocês vão.
- Mas essa planta é assim tão rara? - Bárbara quis saber.
- Sua reserva na Floresta Amazônica já foi cercada e está sob forte vigilância. - respondeu a voz no aparelho. - Teme-se que ela seja a causa da morte do cientista.
- Mas, foi a planta ou o colega dele? - Carolina tentou colocar ordem na explicação.
- A mitologia diz que a mandrágora, quando arrancada da terra, produz um berro que pode ser mortal para quem o escuta. Nós achamos que isso é apenas uma forma mágica de explicar um veneno que pode ser retirado da raiz dessa sétima forma e manuseado para matar alguém. De todos os tipos de mandrágora, esse sétimo é o único que não foi completamente estudado. Provavelmente, tem um veneno mais potente e que não pode ainda ser detectado no sangue da vítima. - disse Drosóphila.
- E vocês acham que foi esse o veneno que matou o cientista... - Paula começou.
- E que quem o manuseou foi Vagner. - Helena completou.

***

Duas pessoas andavam pelos corredores dos laboratórios. Pareciam estagiárias ou recém-saídas da faculdade. Não conheciam bem o lugar e faziam muitas perguntas. Perguntas demais!
- Olá, somos Luísa Brito e Renata Carvalho. Somos novas aqui.
O homem na bancada apenas resmungou e apontou um grande arquivo, impressionantemente desorganizado. Elas entenderam.
- Graças a Deus que nos colocaram para fazer isso, Helena. Já pensou se tivéssemos que fingir saber alguma coisa de biologia? - Bárbara falou baixinho, rindo.

***

- Cuidado, Letícia!
- Ai, desculpa, Aline! Mas são tantos livros! Eles precisam saber tudo isso?
- Psiu! Não vai começar a falar mal de Biologia justo aqui.
E Paula e Kelly caminharam pelo campus da faculdade.

***

- Calma, moça. Por favor, fique calma!
Todo mundo foi para a janela espiar. Aquela mocinha estava realmente fazendo um escândalo por causa do namorado que tinha sumido.
- É verdade, o senhor Vagner não volta aqui há quatro dias.
- Ele está com ela, não está? Aquela vagabunda que vem sempre aqui.
- Nenhuma mulher costuma vir aqui, não.
- Então são aqueles amigos bêbados dele!
- Não, ninguém nunca vem aqui, nem sei de quem a senhora está falando.
Lívia jogou-se novamente no chão, derrubando mais de suas lágrimas falsas.
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N/A: Reclamações: cadê meu beta? Ele não aparece mais e não lê os capítulos de fics que eu mando para ele!
Desculpas: eu sei que demorou, mas a inspiração estava difícil de vir. Comentem, ok?! Mesmo quem ainda não apareceu na fic!

posted at 9:35 PM
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Sexta-feira, Abril 09, 2004

- Mandrágora -


Prólogo

11:32h - Avenida Paulista

A aula tinha acabado havia pouco tempo. Bárbara estava no banheiro, em frente ao espelho. Não havia mais ninguém por perto. Em um instante, desapareceu.

11:33h - Butantã

Paula saía apressada da sala para tentar encontrar um professor com quem precisava falar. Estava indo em direção ao outro prédio da faculdade. Em uma rua deserta, desapareceu.

11:34h - Santo Amaro

Lívia tentava organizar sua bolsa para sair o mais cedo possível. Sua mãe pedia que fosse almoçar. Lívia não respondeu. Quando sua mãe subiu para chamá-la, ela não estava mais no quarto.

11:35h - Alphaville

Uma corrida rápida até a lanchonete porque a fome era demais. Mas Carolina nunca conseguiu chegar lá. Desapareceu no meio do caminho.

11:36h - Centro

Helena andava apressada pelas ruas do centro da cidade. Parou por um momento num canto reservado para poder tirar o celular da bolsa sem ser assaltada. Sumiu.

***

11:40 - Algum lugar da capital

Kelly estava sentada. A mesa de vidro imponente no centro da grande sala envidraçada quase sem móveis. À sua frente, apenas um sofá preto e uma mesa baixa também de vidro. Às suas costas, um telão desligado.
A porta foi aberta. Lívia, Helena, Paula, Carolina e Bárbara entraram. Kelly continuou sentada, ajeitou os óculos escuros. As cinco sentaram-se, sérias.
Silêncio.
- Olha, assim não dá! - Bárbara começou.
- É, não podemos ficar sumindo assim, de repente. - Paula começava a perder a calma.
- Temos outras coisas a fazer. - Helena, ainda sem levantar a voz.
Carolina estava mais sossegada, feliz por ter escapado das aulas. Ela e Lívia estavam com muita fome para brigar.
Kelly não mudou de expressão. Tirou os óculos, levantou-se e deu a volta na mesa. Parou em pé, em frente às garotas. Apoiou a mão na mesa atrás de si.
- Vocês são, antes de tudo, funcionárias deste escritório. Devem estar aqui quando precisarmos de vocês. Se não conseguirem agüentar, podem sair deste ramo.
Nenhuma das cinco respondeu. Os protestos foram esquecidos no mesmo instante.
Kelly, ainda sem mudar de expressão, contornou a mesa e sentou-se.
O telefone tocou. Ela tirou-o do gancho. De um pequeno aparelho branco sobre a mesa, uma voz dirigiu-se as cinco garotas:
- Bom dia, panteras!
- Bom dia, Nogueira!
____________________________

N/A: Outras personagens virão... Aguardem. Ah, o fato de eu estar fazendo uma fic mais longa, em mais capítulos, não quer dizer que ela não possa ser interrompida por algumas short fics ou song fics.

posted at 1:44 PM
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Quarta-feira, Abril 07, 2004

ALERTA!
Antes de começarem, leiam o Warning aí do lado. Para saberem de que se trata...

***



- Aquele do aniversário -



O despertador tocou cedo demais.
- Dez e meia? Ah, mas eu cheguei às seis da manhã. Droga.
Levantou-se e foi tomar o banho que havia sido negligenciado na madrugada. O gravador, o bloco e a caneta que havia falhado no momento crucial estavam jogados sobre a escrivaninha. O celular tinha caído no chão.
A sala vazia do apartamento acusava que as outras moradoras tinham saído. Um bilhete sobre a mesa da cozinha:
"Babi, seu irmão ligou".
Discou para a agência. O assunto não era muito urgente:
- Só um jantar então...
- Não, Victor, eu já disse que não quero comemorações.
- Mas só se faz 25 anos uma vez!
- Só se faz qualquer idade uma vez. Agora volta a trabalhar que estagiário é o que não falta e ainda colocam outro no seu lugar.
Desligou e discou para outro lugar. A redação:
- Ah, que bom que você ligou! A sua matéria já está dando repercussão. Valeu a pena segurar as máquinas até a madrugada. Quando você vem para cá?
- Mais tarde, mais tarde... - disse enquanto caminhava para a mesa da sala, sobre a qual estava o jornal. E sua matéria na primeira página.
Ainda estava abalada com as memórias. A perseguição da polícia, o medo, o desfecho trágico.
"E eu que queria ser crítica de cinema...".

Outro aniversário

Aproveitou o resto da manhã para colocar em ordem um outro projeto. Já bastava de reportagens policiais.
Pilhas de folhas de papel impressas sobre a escrivaninha. Envelopes, Cds. O computador parecia soterrado. Ligou-o. Enviou algumas mensagens.
Ao meio-dia...
-Barbará?
- No quarto!
- Parabéns! - uma cesta enorme nas mãos.
- Ai, Ná. Não precisava...
- 25 aninhos...
- Opa, opa, opa, eu também tenho presente.
- Backs, oi.
- Parabéns!
- Obrigada, obrigada, gente.
- A Thalita já deve estar chegando, a gente vai almoçar com você.
O almoço foi o ponto alto até o momento. Quantos aniversários passados juntas. Mas não adiantava, continuava não gostando da data, de fazer alarde, de fazer comemorações.
Mas o encontro foi curto. Precisava correr até Pinheiros.
- Babizinha! Parabéns!
- Obrigada, Paulinha. Eu estou muito atrasada para a palestra?
- Não, imagina. Os meus alunos estão esperando.
Que fantástico, pensavam os estudantes de jornalismo. Ela fez coberturas muito boas. E sempre em new journalism. Por essas e outras compensava ter estudado tanto para passar na ECA.
Às seis da tarde.
- Alô?
-Babí?
- Oi, Lilizinha.
-Parabéns!
- Obrigada.
- Posso passar no seu apartamento mais tarde?
- Ah... bem, eu não estava pensando em ficar em casa.
- Ah, vai! Eu só posso sair da empresa umas 8 horas. Tem muito trabalho na minha mão...
- Mas isso é bom, não é? Você disse que podia render uma promoção.
- É! Super!
- Está bem, então. Passa lá em casa.
Aproveitou para passar na casa de seu pai, não longe de seu apartamento. Gostava tanto de lá e ficou por tanto tempo que quase esqueceu que havia prometido encontrar-se com a Lívia. Mas Victor apareceu para lembrá-la de que alguém poderia querer visitá-la e ela deveria ir para casa.
- Eu vou com você. O computador aqui de casa pifou e eu preciso terminar um design para a agência.
- Você esqueceu algo chamado... ahn, não sei... faculdade?
- Ah, até parece que você esqueceu o quanto aulas de faculdade são fundamentais...
Foram

***
Foi só ouvirem a chave virar na fechadura e todos ficaram quietos.

***
SURPRESA!

***
- Eu não acredito, Victor. Eu te disse que...
- Deixa de ser chata e vê quem está aqui.
As donas da casa e responsáveis pela bagunça. Vanessa (Burani), já sem as roupas de chef mas encarregada da excelente comida; Natalia dando discretas ordens para as garçonetes do hotel onde trabalhava, que estavam fazendo um bico; Thalita conversando com Lívia sobre assunto que só "office people" entenderia. Ambas em elegantes terninhos pretos.
Paula estava com uma pilha de livros como presente, "Não consegui encontrar um único melhor".
Carolina, do alto de um de seus saltos, foi cumprimentá-la e aproveitou para falar da empresa de telecomunicações que a contratara naquele mesmo dia.
Silvana animada, "o pessoal da redação adorou sua matéria", ainda mostrando sinais de cansaço por ter editado o jornal até tarde.
Adriana, comemorando o emprego novo, o quarto naquele ano, veio correndo sacudindo seu presente.
Isabella, que quase foi derrubada pela Dri, estava em um raro momento de descanso dos ensaios de sua nova peça.
Mariana desligou o celular depois de anotar a pauta urgente do editor de ciências e veio com Marco, os dois esquecendo a rivalidade do seu jornal com o de Bárbara. "Só por hoje", brincaram.
Vanessa (Ruiz) não tinha largado do celular. Estava ligeiramente exaltada, falando com a redação da revista de que era editora. "Ah, se situa...".
Vagner chegou atrasado. Não tinha tirado o jaleco branco e jogou-se no sofá, cansado do trabalho no laboratório. "Mas ele está adorando", comentou sua namorada com Natalia, ao ver o olhar de pena que ela dirigiu ao amigo.
Helena trouxe um presente inusitado. Um filme sobre o aniversário da amiga. Kelly fez uma "campanha de marketing" sobre a idéia inusitada. Profissionalmente, as duas estavam trabalhando no mesmo projeto. Um filme que iria sair em breve. Helena na produção, Kel na divulgação.
Rafael e Bruno riam num canto. Bruno vermelho, para variar, contava o último absurdo do fórum. Rafa tentava esquecer as preocupações de mais um dia estafante na produção da rádio. Gustavo tinha se afastado dos meninos. "Vitão, conseguiu o que a gente precisa lá para a agência?".
Victor ainda estava no computador:
- Babi - gritou -, chegou um e-mail para você da editora...
Ela voou para o quarto.
- Não grita! Eu não quero que ninguém saiba que eu mandei... mandei um texto para eles...
- Algo a ver com essa pilha infinita de papéis sobre a sua escrivaninha?
- Tem, são as impressões que eu reli e corrigi.
- Bem, mas você não quer que ninguém saiba...
- É bobeira, Vi. Sonho... dessas coisas que não se tornam realidade.
Muito menos no dia de hoje, pensou. Aniversário, ai, como passara a odiar a data. Preferia fingir que era uma simples reunião de amigos. Claro que a faixa pendurada escrito "Parabéns, cabeça", tão delicadamente feita pelas colegas de quarto, não ajudava.
- Deixa eu voltar para a sala... - e começou a sair.
- Mas, Babi...
- O quê? - voltou-se.
- Eles vão publicar o seu livro.

***
Um copo quebrado.
- Backs!
Risos, confusão, música.
A mensagem brilhando na tela.
Bárbara voltou para a sala. Já até gostava daquela faixa na parede.

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N/A: (Nota da Autora, para quem está menos acostumado com fics...) Comentem alguma coisa, certo? É a primeira, mas a idéia é essa, só palhaçada. Convido mais pessoas a fazerem blogs de fics! Para os amigos que ficaram de fora desta história: muitas outras virão, não se preocupem...
Mqt, eu "me betei" (corrigi meu próprio texto) porque foi a primeira. Você pode reassumir o posto de beta-reader se assim desejar ;)
posted at 4:41 PM
Comments:

=warning=
"What the hell?" vocês devem estar pensando. Bem, a verdade é que, um belo dia, eu tive a idéia de escrever fics. Não mais fan fics, usando personagens de livros ou filmes, mas real fics (por completamente contraditório que seja) com pessoas que eu conheço. Não tem função nenhuma, não é um projeto de vida. É só uma forma de fazer piada. Vítimas ou não das histórias, espero que se divirtam!
E, claro, aviso importantíssimo: Nada de procurar valores artísticos nos textos. Já disse a Mari, minha companheira de fics: Não é Literatura, é diversão!

=arquivos=

=fics=
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